“Tudo por dinheiro” Premier League retornando deixa torcedores e jogadores em lados opostos

Atletas continuam preocupados depois que o reinício da Premier League foi confirmado para 17 de junho.

Publicado por: em 30 de maio de 2020 - 23:54

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Hillsboro Premier League

Torcedores do Hillsboro time da Premier League.(AP Photo/Rui Vieira)

Torcedores ingleses – e do mundo inteiro – se animaram com a notícia de que a Premier League vai ser retomada no dia 17 de junho após quase três meses de paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus.

Mas a euforia dos fãs contrasta com uma certa preocupação de quem realmente faz o campeonato acontecer: os jogadores. Neste sábado, Tyrone Mings, zagueiro do Aston Villa, foi mais um a não esconder o incômodo com o retorno.

“Os motivos são 100% dirigidos pelo dinheiro e não pela integridade. Sou a favor de voltarmos porque não temos outra escolha. Como jogadores, fomos as últimas pessoas consultadas sobre o Project Restart porque esta é a ordem de prioridade no futebol. Sem problemas. Somos um produto do jogo e devemos aceitar”, declarou o jogador ao Daily Mail.

Atletas como N’Golo Kanté, do Chelsea, e Troy Deeney, do Watford, chegaram a se negar a retomar os treinos por temerem o contágio do coronavírus. O segundo acabou sendo alvo de comentários lamentáveis nas redes sociais por causa da atitude – ele tem um filho de cinco meses que sofre de problemas respiratórios.

“Eu vi alguns comentários sobre o meu filho nos quais o as pessoas dizem: ‘espero que seu filho pegue o coronavírus’. Esse é a parte mais dura para mim. Se você responde, eles percebem que te atingiram e aí insistem mais ainda”, criticou Deeney.

Em meados de maio, antes de a data ser definida, ao menos mais dois atletas manifestaram publicamente o receio com a volta da Premier League. Willian, do Chelsea, disse que “a maioria dos jogadores não se sentia confortável com um retorno imediato”. Já Danny Rose, do Tottenham, declarou que “nem deveriam estar falando de futebol” e que “a vida das pessoas está em risco”.

Ex-técnico da seleção inglesa, Sam Allardyce afirmou em um artigo publicado no jornal Times que “se os jogadores estiverem muito assustados, eles não serão capazes de performar”. “É possível deixá-los em forma em quatro semanas, mas esta é a menor das preocupações. O maior desafio é como eles vão lidar com o lado mental”, completou.

Enquanto a polêmica continua, a Premier League segue tomando medidas para tornar o retorno o mais seguro possível. Neste sábado, a organização do torneio anunciou que a última rodada de testes, com 1.130 jogadores e funcionários das equipes, não teve nenhum caso positivo para Covid-19.

Com mais de 38 mil mortes confirmadas, o Reino Unido está atrás apenas dos Estados Unidos no número de vítimas fatais da pandemia.