Primeira vitória de Piquet e último pódio de Emerson, era o começo da era Piquet, há exatos 40 anos

Em Long Beach, inspirado, Piquet venceu de ponta a ponta, e Fittipaldi fica em terceiro.

Publicado por: em 30 de março de 2020 - 18:37

Ver Perfil

História

Foto: Getty Images

Era o dia trinta de março de 1980. Um dos dias mais importantes da história do automobilismo brasileiro. Há exatos 40 anos, Nelson Piquet Souto Maior entrou para a história da Fórmula 1 como seu mais novo vencedor, ao dominar de ponta a ponta o GP dos Estados Unidos-Oeste, em Long Beach. Além da primeira vitória de Piquet, o domingo ensolarado californiano teve o último pódio de Emerson Fittipaldi, no carro da própria equipe. Era a passagem de era na Fórmula 1.

Emerson e Piquet juntos no pódio de Long Beach em 1980 — Foto: Getty Images

Emerson e Piquet juntos no pódio de Long Beach em 1980 — Foto: Getty Images

A corrida nas ruas de Long Beach, perto de Los Angeles, era a quarta de 1980. As três primeiras foram dominadas pela Williams, com seu eficiente modelo FW07, e Renault, com seu carro empurrado por um poderoso motor turbo. Foram uma vitória de Alan Jones e duas de René Arnoux, que liderava a tabela. Em três corridas, Piquet obteve um segundo lugar na Argentina e um quarto na África do Sul. O brasileiro era o terceiro na tabela, com nove pontos, enquanto Arnoux tinha 18, e Jones, 13.

Nos Estados Unidos, o mais perto que Arnoux e Jones viram Piquet foi no grid de largada. Desde os treinos, Nelson mostrou um domínio avassalador. Na classificação, o brasileiro conquistou sua primeira pole position na Fórmula 1 com 0s995 de vantagem para Arnoux, o segundo colocado, enquanto Jones ficou com o quinto lugar, a 1s125 de Piquet.

Largada do GP dos EUA-Oeste de 1980, em Long Beach — Foto: Reprodução/rede social

Largada do GP dos EUA-Oeste de 1980, em Long Beach — Foto: Reprodução/rede social

Desde os primeiros metros de corrida, Piquet despachou a concorrência. Nas primeiras voltas, o segundo colocado foi Patrick Depailler, com a Alfa Romeo. Na volta 17 de 80, o francês foi superado por Jones, e na 29ª passagem, por Gilles Villeneuve (Ferrari). Só que, na 40ª passagem, Depailler abandonou com a suspensão quebrada, enquanto o canadense parou na volta seguinte (transmissão).

O próprio Jones desistiu da corrida na volta 47 após sofrer um acidente. A essa altura, metade do grid já tinha abandonado, seja por incidentes de pista como por problemas nos carros. Com 50 voltas completadas, Piquet tinha enorme vantagem sobre o novo segundo colocado Riccardo Patrese (Arrows), com Arnoux em terceiro à frente de Clay Regazzoni (Ensign) e Emerson.

Clay Regazzoni pouco antes de se acidentar em Long Beach, em 1980 — Foto: Reprodução/rede social

Clay Regazzoni pouco antes de se acidentar em Long Beach, em 1980 — Foto: Reprodução/rede social

Na abertura da volta 51, acabou de forma lamentável a carreira de Regazzoni. O suíço vinha no trecho mais rápido da pista, a quase 300 km/h, quando os freios falharam. A Ensign passou reto e atingiu em cheio a Brabham do argentino Ricardo Zunino, que estava absurdamente encostada ali desde um acidente na largada. O carro de Clay ficou destruído e pegou fogo, rapidamente apagado.

Regazzoni perdeu a consciência por dez minutos e, quando acordou, sentiu fortíssimas dores nos quadris. Mais dez minutos, e o suíço finalmente foi retirado do carro. No hospital, foram constatadas lesões vertebrais, e uma cirurgia de emergência foi realizada. Infelizmente, o procedimento não foi suficiente para impedir que Clay ficasse paralisado da cintura para baixo.

Os restos do carro de Clay Regazzoni após batida em Long Beach — Foto: Reprodução/rede social

Os restos do carro de Clay Regazzoni após batida em Long Beach — Foto: Reprodução/rede social

Regazzoni acusou duramente a organização da prova de ter sido negligente pelo fato de não ter retirado o carro de Zunino da área de escape. De fato, sem a Brabham naquele local, Clay teria batido com força, mas nas barreiras de pneus colocadas ali. É claro que ele teria muito menos chances de ter sofrido os ferimentos que sofreu no acidente. Mesmo numa cadeira de rodas, o suíço continuou muito presente nos autódromos e virou comentarista. Morreu em 2006, num acidente de estrada.

Com o acidente de Regazzoni, Emerson subiu para a quarta colocação, mas distante de Patrese e Arnoux. Chegou a ser ultrapassado por John Watson (McLaren), mas recuperou a posição quatro voltas depois. E, faltando 18 voltas para o fim, Fittipaldi subiu para terceiro, depois que Arnoux teve um pneu furado e precisou ir aos boxes.

Emerson Fittipaldi a caminho de seu último pódio na F1, em 1980 — Foto: Reprodução/rede social

Emerson Fittipaldi a caminho de seu último pódio na F1, em 1980 — Foto: Reprodução/rede social

A essa altura, Piquet tinha um minuto de vantagem sobre Patrese, enquanto Emerson estava quase 30 segundos atrás do italiano. Watson, Jody Scheckter (Ferrari) e Didier Pironi (Ligier) vinham a seguir, mas já com uma volta de atraso. Com isso, as posições ficaram praticamente decididas.

Com a calma e categoria dos grandes campeões, Nelson cruzou a linha de chegada com 47 segundos de vantagem sobre Patrese, e Fittipaldi confirmou seu 35º e último pódio na Fórmula 1, e o segundo da sua equipe naquela temporada – Keke Rosberg já havia sido o terceiro colocado na Argentina.

Nelson Piquet durante o GP dos EUA-Oeste de 1980 — Foto: Getty Images

Nelson Piquet durante o GP dos EUA-Oeste de 1980 — Foto: Getty Images